segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Arteterapia e Envelhecimento - o Cuidado com Idosos

ARTETERAPIA E ENVELHECIMENTO:
O CUIDADO COM IDOSOS

Programa:
Promoção da Saúde, bem-estar e equilíbrio com pessoas idosas

Sobre o envelhecer – impressões e expressões sobre o chamado entardecer da vida

Avaliações e Critérios

Arte e Envelhecimento

A memória cognitiva – sua importância; técnicas e jogos

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Arteterapia

O arteterapeuta pode atuar em escolas, hospitais, organizações não governamentais, empresas. A arteterapia pode auxiliar também na clínica, objetivando sempre a saúde e o bem-estar.

Segundo a professora Otília Rosângela Silva de Souza, no site da ubaat:

A arteterapia, que é o uso da arte como base de um processo terapêutico, propicia resultados em um breve espaço de tempo. Visa estimular o crescimento interior, abrir novos horizontes e ampliar a consciência do indivíduo sobre si e sobre sua existência. Utiliza a expressão simbólica, de forma espontânea, sem preocupar-se com a estética, através de modalidades expressivas como: pintura; modelagem; colagem; desenho; tecelagem; expressão corporal; sons; músicas; criação de personagens, dentre outras, mas utiliza fundamentalmente as artes plásticas e é isso que a identifica como uma disciplina diferenciada. Enquanto a Arte Educação ensina arte, a arteterapia possui a finalidade de propiciar mudanças psíquicas, assim como a expansão da consciência, a reconciliação de conflitos emocionais, o autoconhecimento e o desenvolvimento pessoal. A arteterapia tem também o objetivo de facilitar a resolução de conflitos interiores e o desenvolvimento da personalidade. Por ser bastante transformadora, pode ser praticada por crianças, adolescentes, adultos, idosos, por pessoas com necessidades especiais, enfermas ou saudáveis. Hoje, é exercida em ateliês e instituições com atendimentos individuais ou em grupos.

No entanto, para ser um arteterapeuta, é necessária uma formação específica, uma vez que a disciplina fica na interface entre a arte e a terapia. Portanto é fundamental aprofundamento e treinamento prático nessas áreas. Para que o profissional seja reconhecido como arteterapeuta pela associação do estado em que reside, é necessário que curse uma formação ou especialização que possua o currículo mínimo e a carga horária mínima estabelecida pela União Brasileira de Arteterapia (UBAAT). Os cursos de arteterapia são ministrados para profissionais de diversas áreas, psicologia, pedagogia, psiquiatria, fonoaudiologia, arte-educação, enfermagem, etc., onde cada um insere a arteterapia em sua área de habilitação profissional.

Possibilidades Arteterapêuticas

Promoção e prevenção da saúde psíquica, emocional e física;
Facilitação do contato e desenvolvimento de potenciais da personalidade, tais como: criatividade, motivação e auto-estima saudável;
Visitação da nossa essência;
Ampliação da percepção, ajudando nas dificuldades de aprendizagem e concentração.
Auxílio em casos de estress, ansiedade, necessidade de acolhimento, problemas de isolamento e solidão, dificuldade de trabalhos em equipe etc.
Entretanto, o mais importante é a acolhida, o olhar, que eu escolhi fazer através da arteterapia. Acredito no cuidado, na criatividade, na fé na vida, no encantamento diário para com ela. Trabalhar para que o maior número de pessoas possível encontrem, a seu jeito e a seu tempo, esse possibilidade de maravilha diante da vida é uma bela missão.

sábado, 21 de março de 2009

Projeto "Grafia de Si através da Arte"




GRAFIA DE SI ATRAVÉS DA ARTE

INTRODUÇÃO

Solitude começa num processo de busca pela inteireza. É um ouvir atento aos apelos do espírito, um silêncio interno que nos permite vislumbrar, sem pressa, os meandros de nosso próprio ser e do mundo a nossa volta, sem comparações e sem angústia, longe de ser solidão, é estar bem consigo mesmo.

Durante um mestrado em história, ao estudar um grande homem que nasceu, viveu e nasceu no século XVIII, chamado Olaudah Equiano, tive a oportunidade de me debruçar mais atentamente na temática das escritas-de-si. Como já estava vivendo a arteterapia e a formação tinha marcado profundamente meu ser, as emoções-conhecimentos arteterapêuticos ainda ululavam em minha memória. Deste encontro surgiu esta oficina: do aprendizado sobre a escrita-de-si e do olhar/vivenciar o processo de descoberta constante que a arte oferece e possibilita.

Parti então para a construção da oficina, na qual a fantasia dirigida de inspiração cabalística é o eixo central, que amalgama os conceitos teóricos sobre diários e relatos autobiográficos. Essa fantasia dirigida propõe que cada qual se reconheça na totalidade, sem comparações, julgamentos ou críticas. Esse ato poderia trazer o contundente reconhecimento de que somos “equipados” exatamente com aquilo que precisamos para construir uma vida de mais bem-aventurança.

Desde o surgimento do indivíduo moderno que temos tomado conhecimento das mais variadas formas de expressar o eu: diários, livros autobiográficos, bem como poemas, quadros e esculturas serviram, servem e servirão para que cada qual busque uma identidade para si e nela se construa.

A proposta é discutir brevemente o relato autobiográfico como possibilidade transformadora, utilizando uma imaginação ativa na qual os participantes serão convidados a descobrir uma de suas potencialidades que os faz especial e que congrega elementos físicos (compleição física), intelectuais, emocionais e transcendentais (espirituais). Essa é uma perspectiva que “empodera” porque reconhecer o que somos, talvez nos ajude a buscar o que queremos ser ou a reforçar padrões de força em nós mesmos.

São vários tipos de fazer autobiográfico, mesmo através de pinturas e esculturas pode-se encontrar tal intuito. Hutton afirma que a autobiografia moderna seria um gênero diferente de retratos de si anteriores porque convidaria os leitores a engajar num tipo similar de introspecção, onde todos deveriam pensar sobre si. Quem merece ser lembrado? E por que lembrar? Hutton aborda um lugar onde o tempo encontra a eternidade e que só pode ser percebido pelo olho interno. As incursões no passado parecem ser formadas por vozes mais caras de nossa memória, para aquilo que nos move para escrever, nossas crenças. A memória seria então uma re-coleção de si, que uniria passado e presente (em cada dado tempo) e daria sustentação e significado à vida, o passado que vale a pena ser conhecido, que restaura conexões com o tempo que teria formado a pessoa que se apresenta.

A autobiografia pode ser vista como uma forma de justificativa e invenção de um novo sentido. O íntimo do indivíduo seria a fonte da verdade, de onde vem a organização do mundo, portanto, seria a sinceridade dessa expressão que interessa, mas do que a coerência e a verdade. Por esse motivo, Calliagaris considera a escrita de si crucial da modernidade, uma necessidade cultural, no qual o sujeito subordina a verdade à sinceridade.

O ato autobiográfico seria algo culturalmente e historicamente datado – um fenômeno moderno e ocidental. Como Calliagaris aponta “É uma escrita autobiográfica que implica numa cultura na qual o indivíduo situe sua vida acima da comunidade a qual pertence... cultura essa na qual importe ao indivíduo sobreviver pessoalmente na memória de outros.

A autobiografia seria uma representação do sujeito por si mesmo ou seria o sujeito um efeito do texto? Quando trabalhamos o tema da coerência tratamos exatamente dessa questão e concordamos com Gomes: “a escrita de si é, ao mesmo tempo, constitutiva da identidade do seu autor e do texto, que se criam simultaneamente através dessa modalidade de “produção do eu”. Quando contamos nossa vida, a re-orientamos e nela forjamos rumos que fluem nas nossas linhas.

A autobiografia recomporia e interpretaria uma vida em sua totalidade, justamente porque levaria o indivíduo a se situar “no que é” na perspectiva do que “tem sido”, seria portanto, para Gusdorf, o substrato da experiência. E essa vida se desenrola num determinado tempo e lugar e na relação entre esse indivíduo e seu contexto reside algumas das respostas, das dúvidas, das afirmativas, que ele produz para empreender a construção de si. É de certo importante perceber que ninguém escreve uma narrativa de memórias ou uma autobiografia sem ter vivido os anos requisitados, sem ter uma vida para contar.

Howarth afirma que as idéias e as crenças que dão à autobiografia seu significado, a filosofia no qual o autor se situa, a fé religiosa, as atitudes políticas e culturais, sendo seu tema também representativo de uma era. Cada autobiografia orquestraria seu tema com seus aportes e contextos, para dar a si mesmo, a sua historia e a seu leitor, um forte senso de unidade intelectual.

Phillipe Lejeune define autobiografia como relato retrospectivo em prosa que uma pessoa real faz de sua vida , a proposta nesta oficina é unir essa possibilidade de nós, como mulheres e homens modernos e pós-modernos, de nos re-descobrir através das linhas de si, uma proposta estruturante e de empoderamento, que pode ter uma continuidade e aplicabilidade no set arteterapêutico.

- explanação sobre autobiografia e a importância das linhas de si.
- Fantasia Dirigida: Os 4 mundos (de inspiração cabalística, possindo equivalente em outras tradições).
- Expressão plástica da experiência e discussão socializada do que ficou dela. - A proposta final é que cada qual encontre sua forma pessoal de se "artegrafar", uma proposta de aperfeiçoamento de si e conseqüentemente do mundo a sua volta.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O reconhecimento de que nascemos exatamente com aquilo que precisamos para viver essa jornada de um modo mais pleno é paulatino, mas que empreitada poderia ser mais válida? O início se faz sempre de um primeiro passo: no nosso caso, uma primeira oficina, onde, a partir de um reconhecimento saudável do si-mesmo e de uma "artegrafia", começamos a fiar um belo bordado, que pode vir a enfeitar de fortalezas e amor-próprio a nossa existência.

HUTTON, Patrick H. William Wordsworth and Sigmund Freud – the search for the self historicized. In: HUTTON, Patrick. History as an art of memory. Hanover: University Press of New England, 1993.
CALLIAGARIS, Contardo. Verdades de autobiografias e diários íntimos. Estudos Históricos. Rio de Janeiro: v. 11, n. 21, 1998. Pág. 5.
CALLIAGARIS, Contardo. Pág. 13.
[3]GOMES, Ângela de Castro (org). Escrita de Si, escrita da História: a título de prólogo. In: GOMES, Ângela de Castro (org). Escrita de Si, escrita da História. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2004. Pág 16.
OLNEY, James (ed). Autobiography – essays theoretical and critical. New Jersey: Princeton University Press.
HOWARTH, William L. Some principles and autobiography. In: OLNEY, James. (org). Autobiography: essays theoretical and critical. Princeton, New Jersey, USA: Princeton University Press, 1980.

REFERÊNCIAS:
BELLO, Susan. Pintando sua alma. Rio de Janeiro: WAK Editora, 2003.
COOPER, David. A. Three meditation gates to meditation practice. Vermont: Skylight Paths Publishing, 2000.
GOFFMAN, Erving. A representação do eu na vida cotidiana. Petrópolis: Editora Vozes, 1985.
GOMES, Ângela de Castro (org). Escrita de Si, escrita da História: a título de prólogo. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2004.
HOWARTH, William L. Some principles and autobiography. In: OLNEY, James. (org). Autobiography: essays theoretical and critical. Princeton, New Jersey, USA: Princeton University Press, 1980.
HUTTON, Patrick H. William Wordsworth and Sigmund Freud – the search for the self historicized. In: HUTTON, Patrick. History as an art of memory. Hanover: University Press of New England, 1993.
JUNG, C.G. AION – Estudos sobre o simbolismo do si-mesmo. Petrópolis: Editora Vozes, 1976.
JUNG, C.G. Memórias, sonhos, reflexões. São Paulo: Editora Nova Fronteira, 2002.
LEJEUNE, Philippe. El pacto autobiográfico y otros estúdios. Madrid: Megazul, 1986.
OLNEY, James (ed). Autobiography – essays theoretical and critical. New Jersey: Princeton University Press. 1980.
PAÏN, Sara & JARREAU, Gladys. Teoria e técnica da arte-terapia – a compreensão do sujeito. Porto Aleger: Artes Médicas, 1996.
VARGAS, Mônica Valéria Silva de Queiroz. Autobiografia de um “africano ilustrado” – um estudo de caso – Olaudah Equiano (1745-1797). Dissertação de Mestrado, apresentada ao PPGHIS-UERJ, abril de 2006.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Jornada do Herói


JORNADA DO HERÓI - Diálogo com nossa força interior

Concepção e organização do workshop:

Grace Storni Rocha, Melissa Caetano, Mônica Queiroz Vargas.

Apresentado no I Encontro de Arteterapia do Mercosul,Rio de Janeiro

O herói reside em todos nós, sua força, entretanto, é diferenciada como são diferenciadas as potencialidades humanas. Essa vivência visa o início do conhecimento desse herói interno e o encontro com tais “armas e escudos” que possuímos, sejam lá quais forem. Na nossa sociedade tendemos a vislumbrar o herói como aquele que tão-somente utiliza a força bruta para vencer os obstáculos de seu caminho, entretanto, a vida nos ensina que o grande aprendizado está em potencializar o nosso agir e tirar o melhor proveito possível daquilo que somos e das armas das quais dispomos, um aprendizado sobre a nossa própria potência possibilita um sucesso mais verdadeiro, ou seja, dentro dos padrões pessoais de felicidade.

OBJETIVO

Nesse workshop, a proposta é que experenciemos através do personagem mítico Arjuna, do Mahabharata, uma passagem visual e vivencial pelas etapas da jornada do herói, a saber: Vida no mundo comum; chamado à aventura; recusa ao chamado; encontro com o mentor; testes, aliados e inimigos; aproximação da caverna oculta; provação suprema; caminho de volta; ressurreição; retorno com elixir.

METODOLOGIA

Através da música, imaginação ativa e expressão verbal e corporal, os participantes serão convidados à “aventurarem-se” em si mesmos e reconhecerem seu herói, que, parafraseando Joseph Campbell, pode possuir muitas faces. Nessa jornada alguns encontros serão pontuados: a criança divina, o velho sábio, a grande mãe, a sombra.

Esses encontros são um diálogo entre o herói em construção e esses “personagens” em nós mesmos. Escolhemos Arjuna porque é um guerreiro que busca travar também uma batalha espiritual pelo aperfeiçoamento de si. É uma jornada externa e interna, uma querela mágica, que transforma um ser temeroso num herói de si mesmo.

O grande aprendizado está em potencializar o nosso agir e tirar o melhor proveito possível daquilo que somos e das armas das quais dispomos, um aprendizado sobe a nossa própria potência. Isto possibilita um sucesso mais verdadeiro, ou seja, dentro dos padrões pessoais de felicidade.

Arjuna, um dos pandavas do Mahabharata (entre 400 e 300 aC), cujo diálogo com o Todo-Amoroso Krishna fez nascer o Bhagavad Gita. Escolhemos Arjuna porque é um guerreiro que busca travar também uma batalha espiritual pelo aperfeiçoamento de si, vivenciar seu dharma, a ação em vida. É uma jornada externa e interna, uma querela mágica, que transforma um ser temeroso num herói de si mesmo.

Arjuna é um herói supremo, possui a entrega e a certeza necessária. Ele é um arqueiro perfeito, cuja seta alcança o objetivo maior: o conhecimento de si. Seu arco chamava-se Gandiva. O Mahabharata é um poema épico com mais de cem mil estrofes, o Bhagavad Gita é o capítulo 63.

O Rei Pandu, pai de Arjuna, falece e seu irmão mais velho Dhritarashtra torna-se o sucessor (ele não havia podido reinar antes por ser cego). Os órfãos de Pandu, os pandavas, Arjuna e seus 4 irmãos, passam a serem educados pelo novo rei com seus 100 filhos. Duryodhana, o mais velho dos Kauravas, filho de Dhritarastra foi motivado pela inveja para destruir seus primos, sempre planejando contra eles. Por medo de ser usurpado, acabou por se tornar um usurpador. Depois de várias traições, os pandavas são banidos do reino e vão com sua mãe, a rainha Kunti, viver numa floresta. Depois de um tempo no exílio, os pandavas ficam sabendo de um torneio por uma dama de um país vizinho. Arjuna, o terceiro dos irmãos, decidiu competir. Usou seu arco com eficiência e venceu. Este casamento deu-lhes uma importante aliança, e novamente foram ameaçados pelos Kauravas. Com receio de sua força e sabendo de seu direito, o pai de Duryodhana ofereceu-lhes a metade do reino, enfurecendo-o ainda mais. O irmão mais velho dos pandavas, Yudhistira, foi coroado.

A guerra tornou-se inevitável pela insana ambição dos Kauravas, representado principalmente pelo irmão mais velho. No campo da batalha de Kurukshetra em Hastinapura, Krishna (que era aquele que carregava a quadriga ou biga) foi atacado. O condutor jamais deveria ser atacado, mas esta regra de cortesia não foi respeitada. Quando Arjuna percebeu que Krishna seria atingido, se colocou na sua frente, isso representando o aspecto Bakhti, de completa devoção.

Ali, no campo de batalha, no momento crucial antes de seu início... Arjuna fraquejou, teve receio de agir, contra seus parentes, que afinal estavam nos dois lados do campo. Nesse momento Krishna profere seu discurso - Bhagavad Gita. O diálogo travado desvela o antagonismo da batalha humana. Krishna instrui Arjuna na doutrina da liberação e da yoga, que flui através das ações de um guerreiro, que não pode abandonar seu dharma, seu caminho no mundo. Krishna instigou Arjuna à luta, mostrando-lhe a temporalidade que permeia a vida. A tarefa de Arjuna é vencer o poderoso mundo de ilusões para chegar ao conhecimento de sua verdadeira essência divina.

Bibliografia

O Bhagavad Gita. Editora Pensamento

Campbell, Joseph. O herói de mil faces. Editora Pensamento.

Vogler, Christofer. Writer´s journey. Editora Pan Macmillan.



Imagens da Formação



Anajô, Lígia e Dirlene
nos últimos meses da formação... trabalhos finais
em pé... Ricardo tirando fotos dos trabalhos

Melissa

Grace

Ricardo

Nos trabalhos finais... Lígia Diniz observando...



Do Azul



COR AZUL – MÔNICA VARGAS

Azul da cor do céu, azul da cor do mar... o nosso planeta é azul...O azul é uma cor fria, essencialmente feminina, expressão de calma e contemplação. Suscita tranqüilidade e paz, símbolo da sabedoria transcendente e divina. Cor que convida ao mergulho, que busca o infinito. Caminho da divagação quando é claro, caminho onírico quando é índigo. A junção das duas cores é a alma liberada em direção ao Divino.

Cor suave, terna e afetuosa. Favorece atividades intelectuais e meditativas. Cor concêntrica, perceptiva, incorporativa, compassiva e unificadora...A contemplação do azul deixa profundidade, leveza e contentamento.
...O silêncio é azul...

Os efeitos orgânicos da cor azul, segundo alguns, são de redução da freqüência cardíaca, diminuição do ritmo respiratório, inibição de descargas de adrenalina e pode ter efeito hipnótico no sistema nervoso central. Com essa redução de ritmos, o organismo tende a recarregar-se energeticamente.

É indicado em casos de estresse, estafa, pressão alta, obesidade, taquicardia, insônia, ira e irritabilidade. Também pode ajudar em agitação psicomotora e neuroses.
As contra-indicações são somente em caso de fadiga, estupor, medos e fobias acentuados.
Dá aparência jovem e arrojada, é calmante de tensões nervosas. O azul deve ser usado com parcimônia e bom senso, como qualquer cor.
O Senhor dos Exércitos ordenou aos filhos de Israel que usassem um barrado azul nas suas vestes. Odin veste azul. Vishnu é representado também com a cor azul. O manto de Maria é azul. Azul era uma cor sagrada para os Druidas, aquele que recebesse o título de bardo por ocasião da celebração do Eisteddfod era abençoado com uma espada e ganhava uma fita azul. Algumas culturas asiáticas acreditam que o azul afasta mal-olhado. Também se acredita que seja o azul um envelope áurico que contém e sustém a vida. Nas religiões afro-brasileiras contas azuis claro podem ser de Oxossi, Logun Edé, Iemanjá; contas azuis escuras são de Ogun. Oxum também pode vestir azul por causa do sincretismo com Nossa Senhora Conceição e pela forte relação que este Orixá tem com as águas.
Na cromoterapia, o raio cromático azul é considerado estabilizador. Cor da perfeição.
Os cristais relacionados aos azuis são: água marinha, turqueza, turmalina azul, safira, lápis-lazuli, azurita e a sodalita.
O índigo combina poder com aptidão prática, determina profundas reformas em todos os níveis do ser. Governa a visão física e a visão superior.
O azul é o primeiro raio, representa a Vontade de Deus, fé, proteção, força e poder. O mestre ascensionado El Morya é o seu guia, cujo complemento divino é Myriam. Seu dia é o Domingo. Seu arcanjo é Miguel, cujo complemento divino é Fé. O Elohim desse raio é Hercules, cujo complemento divino é Eloah Amazon.
O índigo é a cor do chackra frontal, enquanto que o azul é do laríngeo. Segundo esta vertente de compreensão das cores, o índigo é a cor da intuição, observação e mente objetiva. Dinamiza a visão, a vidência, a audição e o cérebro humano. O azul seria o lugar da inteligência prática, dinamizaria o potencial da palavra e a energia descendente. Também funcionaria como um filtro para vibrações que vem de baixo.
A vela para pedir por boa saúde é azul. Quando a chama de uma vela fica azul, os esotéricos acreditam que fadas e seres celestiais estão no ambiente.
A falta de azul pode trazer resistência a mudanças, inflexibilidade, não entendimento da liberdade.
Um professor chamado Dinsha Gadhiali, considera que a cor azul:
Retira a energia seca, deixa a energia úmida
Em conjunto com o laranja (laranja depois azul) poderia acelerar a cicatrização pós-operatória e diminuir a dor. Ajuda contra os sintomas da acne; ardores e dor por herpes zoster; broquites por calor úmido. Dores ciáticas; Conjuntivite; Inflamações das articulações; queimaduras, entre outras coisas.
No azul depois laranja, pode ajudar em bronquites, cistites, espasmos, colite com espasmo.
Viga Gordilho, expressa seu amor pela cor através da tese de doutorado: Cantos, contos e contas: uma trama às águas como lugar de passagem. Ela relacionou lugares, céus e rios e a memória que esses azuis trazem. Para ela, o azul é o território da afetividade. Viga descobriu que o primeiro pigmento azul foi provavelmente desenvolvido no Antigo Egito, era o lápis lázuli (extraído no Afeganistão e Egito). Esse tom de azul, igual ao da pedra anil, foi redescoberto nas obras de Ticiano. O artista plástico Yves Klein fez imensas telas azuis que já foram comparadas à plataformas de meditação, é só observa-las por um tempo que se entra quase em transe. Para ele, o azul unificaria céu e terra, diluindo a linha do horizonte e expandindo o infinito. Em 1957, Klein já havia declarado que a terra seria azul. O azul aparece em pouquíssimas flores e em nenhum alimento, “ele nutre apenas a alma”, afirmou a artista plástica Viga. Um arquiteto de São Paulo disse que o azul está “associado àquilo que transcende o material e se torna imaterial”. É associada ao conhecimento porque vem do alto, do céu, dos planos superiores...
O azul é a cor da quietude, não da indolência. O sexto chacra, frontal, azul-índigo é casa da preguiça... também está relacionada às percepções sutis, a ativação da função mental. O azul claro estaria ligado à luxúria, a submissão completa ao desejo de experimentar o máximo de tudo que vêm dos sentidos, mesmo que leve a uma certa decadência. O chacka laríngeo seria o regulador desse impulso, que pode ser positivo quando está na sua face de desfrute de sabores, qualquer que sejam eles. Este chakra, localizado na altura da garganta é ligado à comunicação e à expressão, por isso saber medir som e silêncio é uma característica azul. A temperança é a virtude da moderação e do equilíbrio.
Meu intuito com a oficina do azul foi trazer o lado mais profundo das duas variações, claro e índigo, a pureza de um, a profundidade do outro. A junção dos dois convida ao infinito de nós mesmos, afinal, a busca também é Deus.